sábado, 14 de junho de 2008

ABAIXO A LOUCURA!

A loucura deveria ser proibida, banida, eliminada, da face da terra. Só a lucidez teria livre trânsito. A previsibilidade seria bem-vinda e coisa de muito bom gosto. Nenhuma surpresa. Nenhum arroubo. Nenhuma mudança brusca de planos. Tudo cuidadosamente planejado. E cumprido, nos mínimos detalhes.
Quem insistisse em cometer loucuras, inclusive as de amor, seria exemplarmente punido com a masmorra eterna, pra não haver prováveis seguidores.
Em se eliminando a loucura, também as artes em geral, inclusive a música, a literatura e a poesia, estariam extintas,afinal, só os loucos se importam com tais manifestações. A eles, seria dado um prazo para redimir-se de seus erros. Um minuto. Tempo mais do que suficiente, e, pensando bem, até generoso, para qualquer um pensar, ponderaqr e chegar à única conclusão possível e permitida: a loucura é um estorvo; logo, deve ser suplantada pela lucidez completa.
Eu já fui absurdamente enlouquecida. Não vivi sem música. Vi poesia em tudo, inclusive num espirro, na dor, numa gargalhada, aperto de mão, comida farta ou parca, cheiro de canela, frase solta, lágrima, brisa suave, piada, falta de tempo, tempo de sobra, desilusão, ilusão, ódio, amor, comunhão. Já fiz sexo com amor e acreditei na amizade. Eu já fiquei encantada diante de uma escultura e já li três vezes, uma atrás da outra, o mesmo livro, só porque gostei! Já gastei noites inteiras conversando sobre li-te-ra-tu-ra! Sim, isso mesmo, LITERATURA! Ora, vejam! Tem coisa menos produtiva? E outras tantas noites falando de amenidades com um amigo. Amizade: a maior de todas as loucuras.
Um minuto. Tempo mais do que suficiente pra deixar de lado essa lista de coisas imprestáveis. Eu disse Imprestáveis, não Emprestáveis.
Sem loucura, com o mundo mais organizado, cordato e tranquilo, provavelmente a lucidez não se entediasse. O silêncio imperiasse e a vida,talvez, pudesse fazer algum sentido.
Então, ABAIXO A LOUCURA!

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Só mais uma

Decidi. Hoje é meu último dia. Amanhã não existirei mais. Outra pessoa levantará da cama, em meu lugar. Estou exausta. Desisto, hoje, de ser quem eu fui até a presente data.
Sempre fui diferente. Sempre joguei limpo. Sempre fui sincera. Contei quem eu era. Nunca experimentei uma máscara. Não sei que peso elas têm (talvez até sejam confortáveis!). Pois cansei de não encontrar lugar pra mim. Cansei de ser diferente. Cansei de ser apenas quem eu era. E não serei mais.
Hoje é meu último dia. Amanhã não existirei mais. Amanhecerei mudada. Mascarada. Dissimulada. Fingida. Mentirosa. Assim pode até ser que eu tenha dificuldade de encontrar um lugar pra mim, posto estarem praticamente todos ocupados, mas serei apenas mais uma entre os milhares e milhares e milhares de outros seres com o dito perfil.
Não consegui pagar o preço altíssimo cobrado de quem não finge. Não tive meios de sobreviver sozinha. Não dormi bem, a despeito da minha consciência tranqüila. Não fui mais feliz por ser mais sincera. Não tive mais sorte por não mentir. Não respirei aliviada por estar com a cara limpa.
Máscaras. Hoje gastarei o dia escolhendo, separando e preparando um belo estoque de máscaras para todas as ocasiões. Ensaiarei as mentiras mais convincentes, os sorrisos mais cínicos e os mehores fingimentos da praça. Tive ótimos exemplos até agora. Sou inteligente (aliás, devo fingir burrice, também, a partir de amanhã, mas hoje ainda posso admitir esse traço pouco valorizado no mundo), e sei bem quais são as formas de mentir, enganar, ludibriar, iludir, dissimular e todos os verbos considerados mais sensacionais e muito usados por esse mundo das pessoas (de Deus é que não é).
Respirarei fundo, amanhã, e sairei à rua, com minhas máscaras tinindo de novas. Exibirei todas elas. Distribuirei falsidades de todas as formas, cores, jeitos e tamanhos. E dormirei, finalmente, em paz.
Hoje é meu último dia. Amanhã, no meu lugar, uma mentira andará pelas ruas e responderá quando chamarem o meu nome. Porque eu não existirei mais. Terei morrido, esta noite, de pura exaustão...

quarta-feira, 11 de junho de 2008

ESCOLHAS

Não duvido das boas intenções de algumas pessoas, quando dizem querer me abrir os olhos pra isso, pra aquilo ou pra aquele outro jeito meu de ver/viver minha vida. Não duvido, absolutamente, mas questiono. Existe sempre o perigo de vampirismo. Daquelas pessoas que, de repente, acreditam ter todo poder sobre mim, que acreditam que eu deva fazer apenas o que elas consideram certo pra minha vida. Grande perigo.
Sob o pretexto de gostarem de ti, de te desejarem o bem, acabam organizando tuas coisas, teus momentos, tuas amizades, tuas prioridades, como se delas fossem. Se permitires um pequeno avanço, logo tomam conta de tudo, e, quando perceberes, não estás mais resolvendo tua vida sem consultá-las.
Não posso admitir esse tipo de invasão, por isso sou um tanto ríspida, às vezes. Sim, corro o risco de parecer antipática, e até de perder uma amizade que poderia ser bem legal. Prefiro isso a ficar atrelada a alguém que pensa ter as rédeas da minha vida, conduzindo-me por caminhos que não serão, certamente, os que eu escolheria.
Penso que seja sempre melhor errar por si mesmo, no máximo trocando idéia com alguém em quem realmente confio (que certamente não será qualquer pessoa), que deixar-me guiar pelos passos alheios. Não confio. Não gosto. Não aceito.
Pareço muito dura? Muito senhora de mim? Muito metida a sabe-tudo? Nada disso. Tenho plena consciência da minha pequenez e da interdependência necessária. No entanto, também tenho plena consciência de que ninguém pode saber mais da minha vida que eu mesma. Além disso, se e quando eu quebrar a cara, terá sido por mim mesma, pelas escolhas que eu fiz, por opção própria. E nunca de terceiros, sejam eles sangue do meu sangue, amigos bem intencionados ou pessoas que pensam que me conhecem, só porque sabem de algumas coisas da minha vida.
Sim, algumas pessoas ficam na torcida pra que tudo dê certo em nossas vidas. Isso é bom e aconselhável, inclusive bem-vindo. Mas só isso.
Tenho uma amiga muito querida que, diante de uma decisão que mudou toda a minha vida, há alguns anos, me disse: "Faz o que quiser, Si. Estarei do teu lado". Foi a maior prova de amizade que já tive na vida. E ela ficou do meu lado. Ali, firme. Se concordou, se não, se pensava que deveria ser diferente, não me disse na hora. Algum tempo depois me disse que não sabia se teria feito o mesmo que fiz. Mas achou que tinha que respeitar minha decisão, e o fez. E viu que foi bom pra mim. Na época, porém, restringiu-se a ficar do meu lado. Eu chorei. Ela segurou-me a mão. Eu tive medo. Ela segurou-me a mão. Eu quase desisti. Ela disse que, se eu desistisse, ela continuaria do meu lado.
Tenho tentado ser assim com meus outros amigos também. Falo o que penso, não posso deixar de fazê-lo, mas garanto que estarei ao lado deles, seja para o que for. Questão de respeito pelo outro, questão de confiança de que ele sabe o que é melhor pra ele, tanto quanto eu sei o que é melhor pra mim. E se há engano, então a gente dá a volta e começa tudo de novo. Quando dá. Quando não dá a gente faz de tudo pra consertar. Ou assume as consequências.
Penso que é assim que deve ser. É assim que a gente aprende. Com dor, ou sem ela. Mas sempre por nós mesmos.

domingo, 8 de junho de 2008

Santo engano

Tem gente que acredita ter A chave. Aquela que abre as portas do conhecimento. Abre não, escancara. A chave que possibilita que essa gente seja especial, de alguma forma. Então se auto-intitulam desbravadoras de caminhos. São pioneiras. Em tudo ou em alguma coisa, em especial. Mas são as primeiras. Nas próprias palavras, claro.
Repetem conceitos difundidos há anos e saem esbravejando tais 'novidades', como se o resto do mundo fosse ignorante o suficiente pra cair nessa. Mas alguns são. E endeusam os engodos. O que faz com que pareça que os primeiros estão certos, e eles, então, continuam sua trajetória de repetir palavras alheias como se deles fossem, de pregar descobertas alheias como se deles fossem, de proclamar profecias alheias como se deles fossem.
Então fico pensando que, se é assim com pessoas praticamente anônimas, como não será com os políticos desse país, cuja projeção é muito maior? O alcance das mentiras não pode sequer ser comparado! E a facilidade de enganar, mais ainda. Um povo que não sabe ler (veja bem que não estou me referindo à decodificação dos símbolos, mas dos significados), que não tem idéia do que seja uma crítica verdadeira, que não tem nem um tantinho assim de discernimento, não pode mesmo saber distinguir entre o que é bom ou não fazer na urna.
E aí, nesse meu país querido, as coisas são como são. Todo o mundo preocupado de quem é a Amazônia (assunto ressuscitado, aliás), enquanto há guerra no Rio de Janeiro (aquilo não pode ter outro nome), enquanto há gente morrendo de sede no Nordeste (quando todo o mundo sabe que resolver o problema é muito mais simples do que parece), enquanto há um tremendo caos instalado e formando craca em todo o território nacional, de toda sorte de crimes.
É nisso que dá acreditar que alguém tem A chave. E não apenas acreditar, mas colocar nas mãos dessa pessoa (ou pessoas) as razões todas da gente. Infelizmente.

sábado, 7 de junho de 2008

Sonho - uma crônica

Eu queria o direito de ser frágil. De não ser tão independente, de assumir que me dói essa independência pela qual, paradoxo dos paradoxos, luto todos os dias. Incansavelmente. E faço questão de manter.
No entanto, há em mim uma fragilidade abismal que, talvez, um dia, finalmente, me devore. Queria o direito de assumir que não sei sozinha. Que não consigo. Que não quero conseguir. Que não quero sequer tentar. Que não preciso sequer tentar.
Ser rocha, porto seguro, força e coragem, tem me desgastado tanto! Tem exigido tanto do que não tenho pra dar! Mas dou. Fabrico. Invento. Me viro. Rebolo. E todas as ações possíveis e imagináveis pra manter o que se chama, aparentemente, de segurança.
Tenho minhas próprias opiniões, ando de cabeça erguida, sou capaz de discutir qualquer assunto, troco lâmpada, gás de fogão, pinto parede, instalo chuveiro e, se facilitar, conserto encanamento. Interessam-me todas essas coisas. E também resolvo meus problemas sozinha. Decido sozinha minhas coisas. Quando muito triste, durmo. Quando arrasada demais, choro sozinha, de madrugada, pra ninguém ver, porque preciso ser forte. Porque preciso ser âncora. Porque os outros precisam de mim. Mas queria ter o direito de dizer que preciso de alguém que faça por mim, ou que, no mínimo, me ajude a fazer. Que me dê colo de vez em quando. Que esteja comigo, nem que seja em silêncio, mas ESTEJA ali, ao meu lado. Que não diga o que eu tenho que fazer, mas apóie minha decisão.
Ando cansada de não ter o direito de desabar. De dizer que preciso de ti, assim mesmo, muito simplesmente: EU PRECISO DE TI.
Só o que eu queria, hoje, aqui, era o direito de ser frágil. Ao menos uma vez.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Sistema de Cotas

Porque esse meu jeito de ver nem sempre agrada...







Resolvi aderir ao sistema de cotas. Reservarei cotas de paciência aos que não entendem. Não entendem nada de nada. Nem querem entender. E pensam entender. E brigam pelo que consideram entendimento de algo que não chegou aos pés do que é entendimento de fato. Se disseres "alhos", ouvirão "bugalhos", e não adianta explicar que focinho de porco não é tomada. Ligarão no focinho do dito bichinho e o chutarão, quando a "coisa" não funcionar (bem a "coisa" pode ser qualquer "coisa", inclusive qualquer "coisa" que possa "consolar").
Haja cotas, haja paciência, haja haveres...
Pirandello já escreveu sobre isso, mas não vou me dar ao trabalho de transcrever as letras dele. Quem quiser, leia O Falecido Mattia Pascal, escrito em 1904 e mais atual que o hoje que rola nas mãos de muita gente por aí.
Reservarei cotas de sangue de barata para serem usadas por... mim! Segundo Kafka, funciona (Ah, esse foi um cara metido que escreveu um continho aqui e outro ali, mas que não representou absolutamente nada no âmbito da literatura mundial.. nadinha...).
Reservarei cotas de humildade. Tomarei algumas delas emprestadas, de vez em quando, só pra lembrar da minha própria pequenez; mas um número enorme estará disponível para pseudointelectualóides de plantão, desses que leram um ou dois livros, que reverenciam alguns nomes que se destacaram por algum motivo (se bom ou não, tanto faz pra essa gente, afinal não estão preocupados com História, mas com historietas), que vêem a face do mal em qualquer um que tenha opinião própria e que se arvoram em repetir frases feitas, como se fosse de sua autoria.
Reservarei um saco bem grande. Um saco de risadas. Esse, pra dividir com meus amigos. Sentaremos, tomaremos algo quente nos dias frios, algo fresco nos dias quentes, comeremos quitutes, jogaremos conversa fora, nos permitiremos ser leves e banais. Falaremos da vida, das alegrias, do céu - abarrotado de bons garotos, dos filmes que não vimos no fim de semana, dos livros que nos fizeram entender, da poesia que nos acompanha, independente dos olhares inviesados que recebemos. Riremos até que nos falte o ar. E o riso dividido nos acompanhará durante o sono.
Graças às benditas cotas.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

E a gente até acha...

E a gente acha que já viu tudo. E a gente acha que já disse tudo. E a gente acha que já sofreu tudo. E a gente acha que já não há mais nada pra viver. Pois eu digo e repito: há, sim.
Olha só, tem uma risada logo ali, depois da esquina, esperando pra grudar na tua boca. Tem uma desgraça logo ali, depois da esquina, esperando pra arrancar a tua bolsa. Tem uma lágrima logo ali, depois da esquina, esperando pra te declarar louca. Tem de tudo um pouco, ainda, pra se viver.
E a gente acha que já sorveu tudo. Nada... nem um décimo do que há pra sorver... Respira fundo. Tem muita fumaça pra encrencar teus pulmões. Respira fundo. Tem muita desgraça pra fazer do teu, dois corações. Respira fundo. Tem muita criança pra ser razão das tuas canções.
E a gente acha que já sentiu tudo. E pensa que o mundo não tem perigo de virar do avesso. Como, se a gente mesmo já não está mais do lado direito. Aliás, por favor, alguém me explique onde é que fica o lado direito, porque eu só tenho visto o meu outro, que não é nem o esquerdo nem o avesso, é um terceiro que eu nem sabia existir.
E a gente acha que já amou tudo. Que secou, deveras. Que deveras, já morreu. Nada. Logo ali, detrás do espelho, tem um doido como eu. Nada. Logo ali, depois da curva, tem um doido como eu. Nada, logo ali, depois do oceano, tem um humano como eu...
E a gente acha que foi o suficiente, e se declara independente pra tomar as decisões que julga acertadas pra lida e pras marretadas que se vai dar na vida. Nada. Interdependentes. Da posse da Amazônia dependemos. Da assinatura de jornal barato dependemos. Da alegria dos outros dependemos. Da desgraça dos outros dependemos. Da miséria dos outros dependemos. E fazemos carnaval.
E a gente acha que já viu tudo.
Nada...

domingo, 25 de maio de 2008

Morfeu tem medo de foguetório


5h48min.

Finalmente Morfeu dá as caras. Por onde andaria esse rapaz? Cada noite chega mais tarde, ou mais cedo de manhã, como queira. Ainda bem que, na sua ausência, a Inspiração me faz companhia. Sem ela, não sei o que seria...

Enfim, o Senhor do Sono chegou, me pegou no colo, me jogou na cama e, quando estava prestes a me possuir... um foguetório!!!!!!!!!!

Explico: moro próximo a uma capela e, se não me engano, hoje é dia de Santa Rita (nome do Bairro vizinho ao meu - eu moro bem na divisa...ai,ai). Daí o foguetório.

6 horas da matina e eu despertei de novo. O foguetório para Santa Rita afugentou Morfeu e eu fiquei sozinha, de novo. Bem, não exatamente sozinha, já que a Inspiração não me abandonou. Ficou brincando comigo, jogando versos soltos sobre minha cabeça insone, enquanto eu virava de um lado para o outro na cama quente, lutando contra o desejo de levantar e voltar a escrever.

É carma, eu acho. Inspiração não me abandona nem de dia, nem de noite, nem debaixo de foguetório seja para que santo for.

Morfeu, ao contrário, quer saber cada vez menos de mim.

Oh, vida cruel!

Chocolate


Acho que está faltando chocolate pra muita gente.

Eu, de jeito nenhum, fico sem o meu estoque. Garantido, sempre. Vivo beliscando um bombom. Uma barrinha aqui, outra barrinha ali, e eu nem me dou conta das agruras da vida. De vez em quando a tristeza bate à porta e pede passagem. Só deixo entrar se ela tiver trazido uma caixa (das grandes) de chocolate. Daí tudo bem, sei que sobreviverei.

A vontade é tamanha que inventei um jeito de comer inclusive no trabalho. Instituí o dia da surpresa. Que significa dia do chocolate. É uma festa pra gurizada... e pra mim... mas disso ninguém suspeita. Não contem, por favor...

Chocolate com pão, já comeram? Peguem uma barra daquelas grandes e cortem do tamanho de um pão de sanduíche e depois coloquem entre dois pães. Sanduíche de chocolate... hummmmmm... maravilhoso.

Chocolate com café, chocolate com queijo, chocolate com...amor...

Bem, nesse caso pode até acontecer uma overdose, partindo-se do princípio de que o chocolate estimula a produção de endorfina, e o amor também... então... não exagere no ... amor... deixe a maior parte para o chocolate... vale a pena, acredite!

Reforma Ortográfica

Essa coisa de reforma ortográfica está me tirando o sono. Ok, ok, meus queridos leitores sabem que não precisa de nada externo pra tirar-me o sono... ele SE tira sozinho; mas vamos combinar que essa história de hífen, substituição por dois erres, cai acento, cai trema, cai tudo, meu Deus!, é muito séria e pode definir meu jeito de escrever...
Estou arrepiada com isso tudo. Como é que vão começar a aparecer meus textos? CHEIOS DE ERROS! Afinal, aprendi a escrever no século passado! Terei que fazer um cursinho intensivo para me atualizar... E se eu não conseguir?
E as palavras que aceitam as duas grafias, tanto a portuguesa quanto a brasileira? Ai, ai... Tem um nó na minha cabeça, daqueles que dóem... (Ih... será que vai esse acento aí?).
Tenho mil perguntas e mil inseguranças a me rondar, dançando cirandas em volta de mim, enlouquecendo minhas mãos, que páram (ai, outro acento diferencial!) no ar cada vez que vão redigir alguma palavra do 'grupo de risco'. Que medo!
E agora José? (Será que Drummond pode ajudar? Ou seria melhor chamar Pessoa, partindo-se do princípio de que a questão é portuguesa, com certeza? A tal reforma adaptou a língua portuguesa à brasileira, ou a brasileira à portuguesa? Por quê?).
O fato é que a coisa aconteceu. Não tem mais volta. Toca ir em frente, adaptar-se e cuidar pra não escrever oficina com ph....
Seria bom que essa tal reforma também facilitasse o visto dos brasileiros para os países Europeus, inclusive Portugal, não é não?

terça-feira, 20 de maio de 2008

Agora

Sempre é hora de... gritar. Sempre é hora de... perguntar. Sempre é hora de... agir. A hora é agora, sempre. Sempre é o instante que se esvai e não volta, nem que a gente murche. Sempre é o momento certo pra se dizer o que se quer diferente, o que se pode discernir. Sempre é agora, hoje, o momento mesmo em que tomo as rédeas dos meus vocábulos e faço deles o que quero dizer. Agora é o sempre sem saída. O beco onde residem todos os amanhãs que... talvez. É hora de degustar o frescor dos ventos de mudança. Inda que tímida, inda que solitária, mas sempre mudança. Sempre, de novo e sempre. Aqui, hoje, dessa forma. Porque grito não tem nome e não tem dono. Tem ouvinte. E participante.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

9 milhões e oitocentos mil Euros

Quantia exata, a mim oferecida via e-mail. Segundo o remetente da correspondência, pretenso advogado, seu cliente sofreu um acidente e deixou essa quantia PARA MIM! E o melhor de tudo: o morto era da ARGÉLIA!
Para receber esses trocadinhos eu só deveria mandar meus dados para o tal advogado e, em 20 dias úteis, eu já poderia ser considerada milionária. Ah! Ele avisou que, depois que recebesse meus dados, tornaria a escrever, para NEGOCIAR a porcentagem que lhe era devida, por seus serviços. Justíssimo, pensei eu.
Li e reli a mensagem e diverti-me a imaginar onde gastaria essa fortuna. Sim, porque dinheiro existe para ser gasto, certo?
Todos os meus problemas estariam resolvidos num passe de mágica. E que mágica!
Em 20 dias eu poderia ser a mulher cuja conta bancária jamais chegaria no vermelho. Cheque especial? Em breve eu esqueceria o que é isso.
Pensei na casa que eu daria para meus pais, nas viagens que faria com minha filha (uma volta ao mundo, não em 80 mas em 800 dias, sem a menor pressa), nos livros que publicaria (muitos, todos juntos - pagando bem, qualquer editora põe o teu livro no mercado). Ajudaria meus irmãos e sobrinhos. E, milagre dos milagres, seria a mulher mais disputada da região, para desposar.
Um ataque de riso me trouxe de volta à realidade. Olhei minha filha, que dormia serenamente. Ouvi os passos do meu pai, perambulando pela casa, como em todas as madrugadas. Pensei no valor do aluguel da casa onde moramos. No preço da escola de minha filha, nos ônibus lotados que tomamos, faça chuva ou faça sol, todo santo dia útil. Pensei no meu emprego,nas incomodações, nas frustrações, nas angústias e nas alegrias. Um frio percorreu-me a espinha quando lembrei da minha conta bancária. E das viagens que provavelmente jamais farei.
Levantei, cobri minha filha, beijei-lhe a testa amada. Agradeci.
Deletei a mensagem, única e exclusivamente por não saber que tipo de dados deveria enviar, se de plástico, de pano, de esponja, se com figuras, números, pontinhos...
NOTA: Tive necessidade de escrever a respeito devido ao grande número de mensagens desse teor, que têm chegado a mim, quase que diariamente. Já as consigo reconhecer, inclusive antes de abrir. Aliás, já recebi de tudo um pouco, desde aviso de corte de linha telefônica que eu nunca tive, até ameaças de morte e fotos de namorado beijando outra (essa eu até abri - poderia ser verdade! -, mas o anti-vírus não deixou...).
As mais freqüentes, no último mês, foram essas de herança ou de sorteio do endereço de e-mail, que me rendem milhões e milhões de Euros - sempre EUROS! - .
AH... SE FOSSE VERDADE.....

domingo, 18 de maio de 2008

Perguntas e respostas

Para 'Cabelinho' , com quem tenho aprendido
a ser cada vez mais perguntadeira...rs
As perguntas sempre martelaram e continuarão martelando na minha cabeça. Se fossem martelos de verdade, eu já estaria mortinha da silva, há muitos anos; sequer teria passado da infância! No entanto, cá estou eu, perguntadeira incorrigível.
Acontece que enfrento uma luta diária: minhas perguntas não aceitam qualquer resposta. Simples, guardam nelas um desejo de aprofundamento tão sério que, por vezes, me mete medo.
Quero saber tudo, mas quero, principalmente, perguntar e, com minhas perguntas, desacomodar a mim mesma. Preciso do movimento interior. Desse desassossego intenso e permanente, pra entender a vida e todas as suas complicadas relações.
Quero saber tudo. Porque as pessoas se sentem tão atraídas por notícias que relatam desgraças? Qual é a força que tem o sofrimento do outro, sobre aquele que acompanha o desenrolar de uma tragédia com tamanho interesse? As boas notícias não deveriam fazer bem? Quem se alimenta de sangue é vampiro ou assíduo acompanhante dos passos do mal? Ou talvez seja alguém que não tem nada de bom na vida, restando-lhe apenas o mal para nutrir-se dele? Porque é mais fácil emocionar-se com quem está longe, que com o vizinho de porta? Ou a própria família? Chorar dói menos que rir? É por isso que reza a lenda que o palhaço, quando não está no picadeiro, chora o tempo inteiro? Perguntas, perguntas, perguntas...
O aprofundamento das questões só produz outras perguntas. Nenhuma resposta, ainda que baseada firmemente em evidências, e provada, portanto, cientificamente, jamais será definitiva.
Acredito na construção diária, ainda que mínima. Afinal, o que parece mínimo pode ser o núcleo, mesmo, da questão (ou da resposta?).
Os pontos de interrogação andam comigo. Faço-os de leque, de bengala, de agasalho, de patinete. E às vezes provocam muita dor de cabeça. Enxaquecas terríveis, não queiram saber.
No entanto, cá estou eu, uma perguntadeira incorrigível.
Até que a morte me roube a resposta final.

sábado, 17 de maio de 2008

Nos chats da vida

Numa dessas madrugadas em que uma centelha de curiosidade ateia, de repente, fogo, à vontade de saber mais, aventurei-me num chat do Skype. Já estava com o programa aberto, conversando com um amigo muito querido, e entramos juntos na 'aventura' virtual.
Logo de cara fiquei impressionada com o nível de conversa da sala. Nove adultos. Eu e ele, mudos. Fiquei atônita. O papo girava em torno de alguma coisa a ver (não entendi direito) com um conhecido apresentador de televisão, na área esportiva.
Nove adultos. Ao notar a entrada de uma mulher na sala (mais uma, porque ali já estavam outras três, das quais apenas uma se manifestava), recebi as boas-vindas por parte dos dois homens mais falantes. Não estenderam essas boas-vindas ao meu acompanhante que também era novo no local e que, é claro, eles não sabiam estar comigo. Como não respondi por absoluta falta do que dizer (eu, extrovertida desde o ventre, perdi a fala), eles começaram a contar uma história de uma terceira pessoa do meio artístico, cujo nome é igual ao meu. Uma história sem pé nem cabeça. Riram muito. Dois homens adultos, procurando ser simpáticos, presumo, mas totalmente atrapalhados no intento.
Eu, e meu amigo, mudos.
Não conseguimos ficar ali por muito tempo. Fui sentindo um desconforto, uma sensação de estar num meio que não tinha nada a ver comigo, uma espécie de embrulho no estômago.
E aí ficaram várias perguntas, martelando na minha cabeça. O que leva um adulto a querer parecer o que não é? O que o faz acreditar que o importante é ser 'descolado' e fazer graça pra se aproximar de quem ainda não conhece? Porque essa necessidade de se esconder atrás do outro? Falar da vida alheia é mais fácil que falar da própria? (Claro, né?) É suficiente a superficialidade de algumas relações virtuais (vejam que não generalizei, até porque sei, por experiência própria, que o oposto também é verdadeiro)? Porque algumas pessoas precisam tanto mostrar que são algo que não são na realidade? Não gostam de si mesmas? Gostam o bastante pra não se expôr? Estão acostumadas a enganar e, por isso, o fazem tão tranqüilamente? Estavam tranqüilas, ou toda aquela familiaridade e 'descolamento' também faziam parte dos personagens atrás dos quais se escondiam as verdadeiras pessoas?
Mas há outra possibilidade. A de que eu esteja errada. A de que, talvez, eu seja formal demais, exigente demais, fora da realidade atual. Pode ser. Não descarto a hipótese. Porém...
Mesmo considerando que posso estar errada, ainda prefiro não fingir, falar da minha própria vida, dizer das coisas que eu gosto e que me fazem bem, perguntar do outro, saber do outro, do outro real, não do personagem. Ainda prefiro a velha e boa sinceridade. Para o bem ou para o mal.
Na próxima madrugada de curiosidade incendiada, tratarei de me 'aventurar' por outras paragens. Chats, em nove? Nunca mais!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!